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20120830

Lá vão duas...

... Três pombinhas a voar. Uma é minha, outra é tua, outra é de quem apanhar.

Os procedimentos e justificações do IEFP é o que parecem, canções de embalar.

Transcrevo mais um caso de "outros conhecimentos", via Tugaleaks:

[...] 
No final do dia em que foi publicada a notícia duas fontes anónimas contactaram o Tugaleaks com um outro anúncio também em Tavira – aparentemente a cidade onde os empregos estão previamente oferecidos – que é ainda mais grave que o anterior. Uma delas tirou um print “a tempo”, horas antes do nosso post do primeiro emprego-oferta.
No anúncio é apresentado o nome do candidato e também o “CC” que se assume ser o Cartão de Cidadão, isto claro, para não haver enganos.
 
IEFP: mais um emprego garantido para Ana Margarida de Brito Batista
 
As declarações proferidas que dão como normal e legítimo este procedimento ofendem não só cada e qualquer Português desempregado como os empregados. Ofendem a nação, o livre acesso ao emprego, a ética e os bons costumes. Também a colocação de dados pessoais na Internet por parte da entidade e com a conivência, directa ou indirecta do IEFP, mostra a desorganização institucional que existe naquele instituto. [realce meu]
[...]

 

20120822

Diz o roto ao nu ...

Conta-nos o Expresso, que o PS enuncia os «cinco erros crassos que estão a destruir o emprego em Portugal».

Eh pá (como dizia o ex-presidente Sampaio), eu não sou pró-PSD nem pró partido algum, mas esta demagogia da "oposição" - principalmente do partido que esteve no poleiro e que muito ajudou a cavar a sepultura - já causa náuseas.

Se estes politiqueiros, em vez de papaguearem, tivessem feito alguma coisa de jeito, ainda vá que não vá, mas assim... Haja paciência!

20120803

Andamos "nisto" há décadas, mas isso não importa nada

«O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida. Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. O desprezo pelas ideias aumenta em cada dia. Vivemos todos ao acaso. Perfeita, absoluta indiferença de cima a baixo! Toda a vida espiritual, intelectual, parada. O tédio invadiu todas as almas. A mocidade arrasta-se envelhecida das mesas das secretarias para as mesas dos cafés. A ruína económica cresce, cresce, cresce. As quebras sucedem-se. O pequeno comércio definha. A indústria enfraquece. A sorte dos operários é lamentável. O salário diminui. A renda também diminui. O Estado é considerado na sua acção fiscal como um ladrão e tratado como um inimigo.» 


Ontem ouvi um senhor de cabelos brancos dizer o seguinte: o único governo que não lixou o povo foi o de Vasco Gonçalves.

Fiquei a matutar naquelas palavras. Recordava-me que Vasco Gonçalves esteve nuns quantos governos provisórios e fui pesquisar para me instruir um pouco. Em resumo, Vasco Gonçalves foi Primeiro-ministro de 12 de Julho de 1974 a 19 de Setembro de 1975 (derrotado pelo PS em eleições), e mentor da reforma agrária, das nacionalizações, do salário mínimo, dos subsídios de férias e Natal. No entanto, foi afastado por todos os partidos.


Caricato como o senhor idoso não pronunciou uma palavra sobre Salazar (pelo que lhe conheço, imagino que se bateu contra a ditadura de então), mas o tom pesaroso com que emitiu a sua opinião revelou um pesar pelo presente, o luto pela luta.


Tendo em conta as palavras que ouvi e o que depreendo do que li - salvaguardando que não formei favoritismo pelo "gonçalvismo" no qual não sou especializada -, a minha crença que vivemos numa quimera democrática é reforçada, que o "ideal de Abril" é utopia. Não defendo de forma alguma a ditadura, mas não será isso o que temos, uma ditadura encapotada na inversão de valores? Que Estado é este que corroí o país?


Continuo curiosa com o paradeiro da gente idónea, que se passou para que fossem arredados, em última análise, ostracizados - por vezes surgem Contos, como os de Rui Mateus, que se esfumam (como por magia) das livrarias e alfarrabistas, escapam as Farpas do Eça e Ortigão, mas esses já se foram e tiveram mérito em idos oportunos. Sobretudo, continuo sem compreender qual é a substância que se respira em Portugal e deixa a população permissiva a este sistema político, repleto de vícios e ciclos encenados.


Parece que os mais novos ficaram comandados à nascença, com a devida autorização parental que sonha um futuro brilhante para o rebento - tenhamos o canudo e os males estão resolvidos. Parece que "isto" anda muito mal, a precariedade aumenta, técnicos superiores a 3€/hora. Mas dizem os analistas que os mais novos não votam. Porque será?
 
Andamos "nisto" há décadas, mas isso não importa nada.



Fonte da imagem: Biblioteca Nacional
Fonte da citação de Eça de Queiroz, em "As Farpas, Maio de 1871: Na Cabeceira

20120723

Estamos começados, mas não estamos acabados


Sábado passado estava na cafetaria de um hiper Continente, e ao sentar-me uma prima chama-me a atenção para o seguinte:

Um segurança aproximou-se discretamente de uma idosa e, com cautela e sem acusações, questiona a senhora sobre as "compras" que guardou na mala. 

A senhora tira da mala duas latas de atum (daquela marca mais económica) e diz que as guardou porque foi um empregado que lhas deu. O segurança pede-lhe desculpa pela confusão, mas teria que ficar com o atum porque a loja não oferece os produtos e que de seguida iria falar com o tal empregado. A senhora tremelicava e explicava que não tinha feito por mal, ao que o segurança respondia que compreendia e que a senhora prosseguisse. 

Lá foi a senhora, magrinha e limpinha mas de passo acelerado, colocando um folheto do hiper em frente à cara como se estivesse na rua a proteger os olhos do sol. Ainda pensámos em lhe ir oferecer, mas a senhora "voou" dali tal era a vergonha. 
Ficámos perplexas, comentando que não sabemos o dia de amanhã, sobre o ponto a que chegámos, a senhora ter escolhido o atum mais barato da prateleira como se quisesse minimizar o dano ao estabelecimento, o trato delicado do segurança e sobre tanto mais...

A minha avó dizia tantas vezes: estamos começados, mas não estamos acabados.

Fonte da imagem: Mariazinha


20120722

Impunidade





Depois de ler sobre mais uma prescrição de alegados crimes cometidos por graúdos, tenho para mim que as investigações em Portugal demoram mais tempo que as obras de Santa Engrácia.
Este sistema fede mais que aterro sanitário.

Fonte da imagem: Política em foco

20120719

Tostões

Mas quem é o "particular" que se interessa pela dedução do IVA nas contas do cabeleiro ou do mecânico?


Para se ser reembolsado em 250€ (no máximo), temos que apresentar facturas com despesas no valor total (máximo) de 26.739€, o que daria um encargo de mais de 2.000€/mês.

Este (des)governo endoidou de vez.
Quem gasta essa pipa de massa não se preocupa com uns míseros 250€, e quem se preocupa não tem dinheiro para gastar.

Cambada...





Fonte da imagem: fio de prumo

20120718

A ler: "A fronteira da escravatura"

"[...] A história dos trabalhadores da Covilhã, a viverem num armazém, foi chocante por aquilo que se é capaz de fazer para ganhar uma margem no negócio. Mas foi mais chocante ainda pela imagem que deu da sociedade indiferente em que nos transformámos. 
A primeira reacção às condições degradantes de vida daquelas pessoas foi contactar o Ministério da Solidariedade Social como se de um caso de caridade se tratasse. Há uns anos, não muitos, o sítio onde todos nós buscaríamos uma resposta seria no Ministério do Trabalho, mais concretamente na Inspecção Geral do Trabalho. E a Opway, a Somague e a própria PT teriam muito que explicar, não se desculpando com subempreitadas ou com empregos que vão criar.
Houve também um tempo, na escravatura e nos primeiros tempos da revolução industrial, em que o medo fez com que tudo se aguentasse. Até ao dia em que se perdeu o medo. O que é mais aterrador na actual crise é a impossibilidade de qualquer sociedade europeia aguentar a degradação de valores que as lideranças querem impor para ultrapassar os actuais problemas. "

20120715

Rendimento e condições de vida


 * Agravou-se ligeiramente a insuficiência de rendimento das pessoas em risco de pobreza face ao rendimento líquido monetário mediano, com uma taxa de intensidade da pobreza de 23,2% (22,7% no ano anterior). 
* A taxa de risco de pobreza das famílias com crianças dependentes aumentou para 20,1%, mais 2 p.p. do que o valor registado para o total da população residente. 
* A privação material severa reduziu-se, atingindo 8,3% da população residente em 2011 face a 9,0% no ano anterior. 
* Aumentou ligeiramente o distanciamento entre a população com mais e menos recursos monetários.


Pergunto eu:
Que importância tem a pobreza das famílias portuguesas, quando o Estado urge em pagar o empréstimo exterior?
Que importância têm os cortes e apertos ao Povinho, quando os Lordes continuam a ter do bom?