20120207

Roberto disse:

Passo a citar:
"Pois, parece-me natural este distanciamento da Grécia, quer por parte de Portugal, quer por parte de todos os outros países nesta crise da dívida soberana. Também a própria Grécia gostaria de se distanciar de si própria, mas não pode.

Não pode, não só por razões óbvias, mas também porque a verdade é que para os outros países é bastante conveniente ter um bode expiatório pra mandar para a fogueira, a ver se os próprios problemas passam despercebidos e por debaixo do radar dos mercados... mas é tapar o Sol com a peneira, como os juros no mercado secundário têm demonstrado repetidamente, especialmente no caso Português, que continuam a subir, clara demonstração da desconfiança por parte dos mercados na implementação e eficácia das medidas adoptadas.

O que nos leva a interrogar, será que são estas as medidas correctas? Sem dúvida que necessitamos intervenção, mas é esta a correcta? Por muito impecável que seja a implementação do programa por parte do Governo(a acreditar nas palavras da própria troika - btw, no ínicio da crise Grega, há 2 anos atrás, esta Troika era só palmadinhas nas costas dos Gregos e afirmavam a pés juntos que estava a correr tudo bem...), será que vamos obter os resultados desejados?

Então porque é que já se falou num "ligeiro" ajuste dos números, de uma revisão dos objectivos? Porque é que já se murmura em voz alta que talvez Portugal necessite de um segundo "pacote" de "ajuda"?

Cada dia que passa, tenho mais e mais dúvidas, especialmente porque nos casos anteriores (vide Argentina e Chile) estas medidas não tiveram o impacto necessário, apenas quando foram corrigidas é que o crescimento económico se verificou...
E estamos a falar de países que já tinham batido no fundo, por isso o único caminho, de acordo com os ciclos económicos, é mesmo para cima...

Sim, sem dúvida, precisamos de um equilíbrio financeiro, de um orçamento equilibrado, de cortes de despesas, mas discordo dos cortes horizontais, onde juntamente com a gordura se corta a carne. Concordo que é necessário aumentar a competitividade de um país, mas tenho as minhas dúvidas de que cortando o poder de compra e os salários sejam o caminho... Será que o objectivo é fazer do Sul da Europa uma China ou uma Índia, países de mão-de-obra barata, às portas da Velha (e rica) Europa do Norte?
É uma solução esta, e a mais rápida, mas será a mais acertada?

Creio que o problema reside no tempo... Sim, um mundo melhor é possível, mas demora mais. E além disso, tivemos 30 anos de oportunidades para elevar os nossos "standards", mas durante este tempo andava tudo demasiado ocupado armado em cigarra... 
Enfim, o tempo, a História e as próximas gerações cá estarão para nos julgar a todos.
6 de Fevereiro de 2012 23:58

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