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20120206

Nascidos para competir

Esta prosa de um pai e educador, é uma constatação de espanto. Parece que os nossos infantes se dedicam desde a mais tenra idade à não mui nobre arte da competição. Com a entrada no ensino primário constatei que a minha filha e os seus jovens colegas, lutam ferozmente entre si pelas melhores notas. Como não sou competitivo, nem no lar tal lhe foi ensinado, assumo que tal se deva à pressão social para serem bem sucedidos a que estão sujeitas as nossas crianças, uma geração de filhos únicos, habituados a centrar as atenções e os mimos.

Como não exerço actividade no ensino, questionei a professora. Não seria melhor tomar uma atitude ligeiramente displicente relativamente às fichas e trabalhos das crianças. A jovem de 20 e poucos anos manifestou impotência e não avançou explicações capazes. Constatou que, mesmo não atribuindo "notas" aos trabalhos e testes, os petizes comparavam-se, ganhando o que tinha cometido menor número de erros.

Não encontro lógica que explique este fenómeno, nem sei se é localizado. Constato apenas factos, isto é, estamos a criar uma geração que desde a mais tenra idade vive obcecada com o sucesso e que negligencia os valores da solidariedade e partilha. O objectivo, primeiro e último, é sempre ser o melhor. Ao partilhar esta reflexão num fórum de educadores, procuro respostas. É geracional e restrito ou transversal? Mais frequente no ensino privado ou de idêntico teor no público? Deixo aqui esta reflexão parental, este desabafo, à espera de eco de quem se encontra do lado dos docentes.