20120213

Na Grécia é o que é e em Portugal também só que ligeiramente diferente

As manifestações são cordatas, os perigosos anarquistas e sindicalistas convivem bem com o governo (mais os segundos) e as pessoas continuam a morrer, a ser agredidas e o Carnaval foi deposto à última da hora, a bem da imagem.
  • Governo quis evitar folga durante visita da troika - Sol
  • Mais três idosos encontrados mortos em casa - RTP
  • Aluna agredida na escola acaba no hospital - tvi24
Não esquecer que hoje na SIC Notícias (Opinião Pública) trocaram o tema Grécia, pela demissão do treinador do Sporting.

Tiques rascas

Entendo começar este post com uma breve e mais ou menos aleatória selecção de alguns dos títulos dos editoriais assinados pelo actual Director do I, António Ribeiro Ferreira:

  • "É urgente partir a espinha aos sindicatos", publicado em 09 de Setembro de 2011
  • "Em tempos de crise, vivam os palhaços", publicado em 16 Dez 2011
  • "Portugal precisa de uma boa vassourada", publicado em 24 Dez 201
  • "Sempre os tiques terceiro-mundistas", publicado em 17 Dez 201
  • "É urgente um novo Estado e nova gente", publicado em 20 Dez 201
  • "Pobre gente, pobre país de indignados", publicado em 6 Jan 2012
  • "É urgente calar os rascas do regime", publicado em 24 Jan 2012

Apetece dizer que António Ribeiro Ferreira, transitado do Correio da Manhã para o I, e não é inocente, este facto, parece ter sido recrutado com uma ideia relativamente simples: dizer o pior e o mais disparatado possível para gerar polémicas fáceis, garantindo o burburinho e a indignação de que são feitos os índices de leitura e a sobrevivência de jornais com pouco critério.

Não está em causa que o cidadão António Ribeiro Ferreira tenha opiniões: é, aliás, saudável que as tenha, e que cumpra o dever cívico de tê-las. Mas não é o cidadão António Ribeiro Ferreira que dirige o I: é o profissional do meio, o jornalista experimentado. Ou devia parecê-lo mais.

O cargo de Director de um meio de Comunicação Social de massas não é - ou, pelo menos, não devia ser - um púlpito levantado do chão de um qualquer parque urbano, no qual qualquer um pode, legitimamente, discorrer contra quem quiser o fel que o move.

Mais que esperar-se, exige-se a um Director de um jornal nacional diário que seja vector de esclarecimento crítico, capaz de uma reflexão distanciada e historicamente enquadrada mas, por essa razão, não menos imparcial. Algo muito diferente dos bramidos espalhafatosos que, mais que qualificar a realidade sobre a qual se debruça, o qualificam enquanto orador.

É certo que António Ribeiro Ferreira não é - antes fosse... - o primeiro Director de um jornal de grande tiragem a fazer do seu cargo tão pobre e irreflectida utilização, presumindo que é irreflectida sequer. Mas acrescenta-se, desta forma, e tristemente, ao nada ilustre leque daqueles que, podendo contribuir para ver para lá do ruído, se limita a somar-se a ele. Não é desta Comunicação Social que Portugal - ou qualquer outro país - precisa.

A manter-se incapaz (ou indisponível) de somar qualidade e não gatafunho, talvez não seja inadequado recomendar a António Ribeiro Ferreira algum do que tem projectado em todas as direcções: perante os seus "tiques terceiro-mundistas" típicos de "rascas do regime", era bom que, a bem do tal "pobre país de indignados" (que, lendo-o, o sustentam) se coloque a jeito da tal "boa vassourada" para abrir espaço para a tal "nova gente" que não escreva para sugerir "partir a espinha aos sindicatos". Para que "em tempos de crise, [não] vivam os palhaços".

Coisas que não entendo



De ontologia, ou da passividade colonoscópica dos portugueses



Segundo o Dicionário de Língua Portuguesa da Porto Editora, ontologia "estuda o ser em si, as suas propriedades e os modos por que se manifesta".

Ainda segundo o mesmo documento, deontologia é o "estudo dos deveres especiais de uma situação, particularmente dos deveres das diversas profissões (Do grego déontos, «o dever» e lógos, «tratado»).



Destaco estes dois termos a propósito da absolutamente vergonhosa capa do "jornal" I. E afirmo-o novamente, para que não restem dúvidas: vergonhosa. Não é a primeira vez que a escolha e montagem dos elementos de uma peça noticiosa parecem alvo de hábil concepção. Nem é sequer a primeira vez que a própria capa de um matutino, destaque de um noticiário radiofónico ou televisivo dão conta, na sequenciação dos seus elementos, de uma posição ideológica que pretende gerar um determinado efeito no receptor. Não sejamos inocentes: a montagem de uma peça não é, desde há muito, território virgem em posicionamentos políticos. Mesmo quando a deontologia jornalística aconselha a uma imparcialidade que lhe devolva o estatuto - há muito perdido - de watchdog político, e de Quarto Poder. Mas nas últimas semanas, quer por via dos editoriais do seu actual Director, quer por via da escolha dos elementos destacados e do seu alinhamento, há exercícios de alinhamento político como não via há algum tempo, e que fazem corar alguns dos mais infelizes exemplos de jornalismo não isento de que há memória. Mesmo considerando que vivemos no país onde Alberto João Jardim tem o apoio descarado de um diário madeirense.

A conotação da esquerda política grega - destacada no título - com as imagens de violência colocadas na capa já seria, por si só, uma prática jornalisticamente condenável, digna de figurar nos manuais como constituindo exemplo a não seguir. Mas somar-lhe a tónica de alerta e de mobilização contra uma suposta emergência dessas forças políticas gregas, ameaçadoramente próximas de uma vitória eleitoral e, mais ainda, atribuindo-lhe já um plano maquiavélico de - e o verbo não é inocente - "rebentar" um acordo do qual, na realidade, praticamente apenas um Governo não eleito participou, é, a todos os títulos, absolutamente vergonhoso.

Sei bem que vivemos no país da inconsequência, sobretudo discursiva. O mesmo país onde o Presidente da Associação Nacional de Municípios incita à violência física contra fiscais ambientais, sem perder o cargo ou a liberdade. O mesmo país onde um deputado furta gravadores a jornalistas e, como "sanção", é designado para Comissões Parlamentares de Justiça. O mesmo país onde o Presidente da República se queixa de ganhar pouco sem perder o mandato. O mesmo país onde o Primeiro-Ministro insulta a pobreza e o desemprego, e nada ocorre. Mas começa a fartar-me que, para lá de tudo isto, agora também orgãos de Comunicação Social tomem o seu partido até sobre política de países terceiros, incitando à discriminação pura contra dois partidos políticos, e nada se passe, amigos como sempre, "o povo é sereno", "porreiro, pá" e todas aquelas outras misérias orais com as quais continuamos a desresponsabilizar aos outros, no que fazem, e a nós, no que deixamos que seja feito. Até onde chega a passividade colonoscópica dos portugueses?

A vida como ela é (nada a ver com telenovelas apesar de ...)

«Professores têm aulas de segurança pessoal» - DN
A insegurança no meio escolar levou uma empresa privada a abrir um curso dirigido a professores, que esgotou. Também auxiliares já mostraram interesse. Os docentes vão expor situações por que já passaram e aprender a defender-se usando artes marciais. O curso custa 50 euros e é pago pelos professores. Esta abordagem não é consensual na comunidade escolar. (A Bola)


Ainda vai aparecer um tipo qualquer do governo a dizer que este tipo de situação fomenta a criatividade das pessoas e que mesmo em tempos de crise há quem a consiga superar criando emprego.

Atenas, hoje e recentemente [II]

Na continuação do post Atenas, hoje e recentemente [I], actualizado há minutos, deixo esta alteração DIY, popular e assertiva ao nome do Banco da Grécia:

(c) Reuters

Alerta matinal | Vídeos online

Vídeos de comportamentos heróicos são chamariz para fraudes
"(...) Os falsos vídeos vêm acompanhados de mensagens que exortam a vê-los com frases como: "precisamos mais gente como esta" ou "isto é um herói", mas quando os utilizadores tentam abri-los, pede-se-lhes que instalem um complemento para o seu browser (noutras ocasiões é uma actualização para o Youtube). No entanto, em ambos os casos, na realidade estão a instalar um código malicioso que dará acesso às contas do Facebook, assim como a todos os dados pessoais.
(...) Uma vez conseguido o acesso, os ciberdelinquentes publicam automaticamente a história fraudulenta no muro de todas páginas nas quais os utilizadores tenham feito "Gosto"." (CH)
 
Ler tudo: http://www.cienciahoje.pt/index.php?oid=52983&op=all

20120212

Por uma noite especial

E com boas memórias:

Atenas, hoje e recentemente [I]

Daily Mail
Daily Mail
Print screen | Daily Mail
Daily Mail
Daily Mail

 Cada imagem mais expressiva do que a outra ...

Herald sun
Herald sun
A riot police officer kicks a downed protester during demonstrations in Athens Friday | Reuters
Police drag off a protester during demonstrations in Athens Friday | Reuters
Hoje, dia 13:
A firefighter extinguishes one of the capital's oldest restored cinemas in central Athens on Monday, Feb. 13, 2012. (AP / Petros Giannakouris)
A woman walks past a destroyed building in central Athens on Monday, Feb. 13, 2012. (AP / Dimitri Messinis)

Neste momento, o jarro cheio é o da Grécia. Isto numa perspectiva muito enviezada, é claro.

Na Grécia:


em Espanha, temos isto:



em Portugal ...

[Deixo para outros posts já que o dia-a-dia se faz por cá e é indicador do pior para todos menos aqueles que andam armados em parvos (entre outros) e desculpem-me o vocabulário mas não há pachorra]


E quem não vê disto todos os dias e até tão perto?

A pobreza não acontece de repente, vai corroendo a vida devagarinho
 Por Natália Faria | Público

Esta semana, o Eurostat contou 2,7 milhões de portugueses em risco de pobreza e exclusão social. As instituições que oferecem comida e abrigo estão lotadas. Sem prevenção, e com as redes familiares perto de rebentar, as histórias que hoje aqui contamos podem multiplicar-se por milhares (Público para Assinantes)
Print screen Público
“A rua é o último recurso. Leva tempo até as pessoas chegarem lá. Mesmo que um casal fique desempregado, há sempre a família, os amigos”, sublinha Marco Semblano, da Legião da Boa Vontade. “A retaguarda familiar em Portugal ainda serve de almofada ao impacto violentíssimo que a crise está a ter. Mesmo quando as pessoas entregam a casa ao banco, têm sempre a mãe, a avó...”, concorda António Tavares, provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto. “Quando uma pessoa deixa de pagar a casa, geralmente passam dois ou três anos antes de chegar à rua. Isso só acontece quando o amigo deixa de abrir a porta, quando a própria família deixa de abrir a porta”, reforça Ana Martins da AMI, para deixar a certeza: “Se o Governo não agir sobre o problema da habitação, nomeadamente os créditos malparados, dentro dos próximos três anos as situações de rua vão aumentar significativamente”.
(...) Em 2011, a AMI atendeu 14.938 pessoas. É um aumento de 92% relativamente a 2008. Daquelas, 1815 estavam sem abrigo. “O fenómeno dos sem-abrigo era dominantemente masculino, mas, neste momento e comparando com o que se passava em 2008, temos um aumento de 56% de mulheres”. “O nosso medo” — o de Ana Martins e o dos demais responsáveis — “é que em 2012 as coisas se agravem ainda mais e esta bomba-relógio expluda”."

Fonte: Público para Assinantes

Interessante!


Por Graça Barbosa Ribeiro | Público

ADENDA:

Print screen Jornal de Noticias | A.I

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Revista Visão 2012.02.09
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