20111015

Em Coimbra : )






Em Coimbra : /

Em Coimbra, entre as 15h e as 16h viveu-se uma autêntica vigília Pascal. Poucas pessoas, pouca acção e muitos cordiais cumprimentos e conversas de circunstância. Raios partam a maioria dos Conimbrinhas e o seu espírito, o meu também. De qualquer modo, é bom saber que em milhares, há uns 300 que até se incomodam com o assunto.



15.O - Da Indignação à Acção

Mais valia teres estado calado e sem caneta ou dedinhos ...


Uma lástima és tu! (O insulto parte dele ...)

20111014

Música para hoje e amanhã. Estamos a passos ...


E amanhã, senhores sindicalistas?

Onde vão estar?
É triste não ter lido sobre o vosso apoio a esta manifestação única a nível mundial.
Enfim ... são financiados pelos sindicalizados e duplamente pelos mesmos pois o Estado injecta dinheiro para que se mantenham e que mantenham a calma.
Bom fim-de-semana, então! Está sol!

E para amanhã ??? Não vai nada, nada, nada???

TUDO!!!

Dos limites para a tolerância

Portugal é já, hoje, um país sem retorno, refém da carneirice cívica que cronicamente reconduz PS e PSD no poder. Tolhidos pelo medo ou pela ignorância, ciclo após ciclo, aproximadamente metade dos eleitores que se dá ao trabalho de colocar o boletim na urna escolhe as mesmas escolas de pessoas, as mesmas ideias, as mesmas sugestões. Os mesmos fracassos. Colocada perante a (in)evitabilidade desse fracasso por parte de uma das duas escolas, o eleitor conduz-se inexoravelmente para os braços da outra, numa submissão consciente que legitima para si próprio afirmando "são todos iguais", ilustração máxima da ignorancia própria. Boa parte do eleitorado em Portugal, para além de prestar um pessimo serviço ao idioma que diz ser seu de cada vez que é chamado a pronunciar-se sobre o regime que alimenta, não conseguiria, digo eu, encontrar o seu próprio derriere (leia-se, conhecimento da "democracia" em que vive) com ambas as mãos mesmo que a sua vida dependesse disso. 

Como deduzem já pelo tom azedo das minhas palavras, não tenho pela maior parte dos eleitores portugueses grande respeito. À luz do que tem sido o nosso passado recente, seria hipócrita da minha parte desresponsabilizá-los das escolhas políticas que os seus representantes eleitos têm praticado. Em paralelo com a inimputabilidade dos titulares de cargos de representação política, vive-se a inimputabilidade crónica do eleitor, atribuindo maioria após maioria aos mesmos dois suspeitos de sempre, em alguns casos com a inacreditável carta branca que a sua natureza absoluta confere. Exibindo uma ignorância que, em alguns casos, é assumida com orgulho - como se qualificasse individuo algum de forma positiva faze-lo - o eleitor português tende a conhecer quase zero das ideias dos partidos para lá do espectro familiar em que se move, desconsiderando-os com as pseudo-ideias e pseudo-narrativas que os media e algumas personalidades através dele continuam a fornecer-lhes, garantindo estabilidade ideológica (fantástico eufemismo para imobilismo) que perpetua as vantagens de alguns, em detrimento de todos.


Vem tudo isto a propósito da nossa conjuntura, na qual - e para variar - temos uma dessas duas escolhas a destruir um pouco mais do que pertence a todos, agravando a qualidade de vida desse todo para garantir a eternização dos benefícios dos alguns, em cujos círculos querem continuar, espécie de corte que assiste às chamas de Roma à distância confortável da opulência material. Para variar, também, erros próprios são justificados com dificuldades herdadas - como se esse devir não fosse, ele próprio, a herança da acção própria passada -, ou ainda, argumento recorrente, com o que se passa "lá fora", essa grande cortina de fumo que faria corar Orwell, se ele soubesse falar português. O passado e o exterior, habituais instituições políticas de costas larguíssimas, continuam hoje - e continuarão futuramente, à luz da evolução expectável da literacia política dos portugueses - a ser a cenoura na ponta da cana com a qual continuamos a encaminhar a carneirice cívica nacional. Nestas coisas convém ter presente o seguinte: se nao protestamos o que nos é feito, não merecemos que nos seja feito melhor. Até um cão, eventualmente, rejeita a dor que o dono lhe provoca. O eleitor portugues, aparentemente, não tem limites para essa tolerancia. E quem decide conta com isso. Até que lhe seja demonstrado o contrário.

Quando questiono alguns portugueses sobre a razão do seu imobilismo, da ausência de protesto, de incómodo de alguma espécie, tenho ouvido com relativa frequência a resposta "as pessoas estão fartas de ouvir más notícias". É extraordinariamente grave, esta resposta e o pensamento que lhe subjaz: reduzirmo-nos a uma surdez selectiva às más notícias não faz desaparecer o seu efeito sobre as nossas vidas, da mesma forma que a abstenção não evita que sejamos governados por pessoas eleitas pelos outros. A diferença é só uma: como dizia Platão, se não participamos daquilo que nos decide a vida para lá da nossa vontade, não podemos surpreender-nos que sejam eleitas pessoas piores que nós para faze-lo. A esperança não é um substantivo, mas um verbo. É um músculo que atrofia se não estimulado. Indignarmo-nos não é um fim em si mesmo, mas o principio de outra coisa. E essa outra coisa, sejam ideias novas, sejam condutas novas, não emerge por auto-geração: tem de ser cada um de nós a dizer o que pensa, a contribuir 1º) para um entendimento de que o que existe não é suficientemente bom (e em alguns casos, francamente mau, como acontece agora), e 2º) para demonstrar que essa mudança é necessária e inevitável. Enquanto o retrato da população que chega a quem toma decisões for "isto desagrada-lhes mas eles adaptam-se e aceitam", o terreno vai continuar a ser fértil para mais decisões do mesmo tipo. Até um cão, eventualmente, rejeita a dor que o dono lhe provoca. O eleitor portugues, aparentemente, não tem limites para essa tolerancia. E quem decide conta com isso. Até que lhe seja demonstrado o contrário.

Nuno Crato, uma escatologia, na forma de 500 zeinais bavas que querem "frô"





Imagem do Kaos


tenho, por nuno crato, o mesmo respeito que tinha pela milú, a mulher a dias da educação, com algumas variantes, a de, realmente, o respeito ser um pouco abaixo e a barba dele estar um pouco mais acima.
sempre que há nunos cratos a cratizarem-se no que resta no cenário por desmontar de um sonho de um gajo que nunca devia ter sonhado isso, afonso henriques, vem-me à cabeça um velho aforismo, que, algures, inventei, o de que, para a cultura e para a educação, qualquer coisa serve, desde que tenha um ligeiro ar de vaca da graciosa, ou um gene de hipopótamo, que vai da mente às extremidades elefantisadas. claro que isto são meras imagens, um pouco os meus graffitis de escrita, mas o sumo da coisa, o meu plano nacional de leitura, para citar outro traste, um camelo de sorrisos falsos, a essência destas imagens é a métrica de uma linha de pensamento que se vai tornando impiedosa, de dia para dia, e que está a chegar agora, por puro tédio, a um seu máximo relativo, como o crato, matematico, adoraria ler escrito, e vamos já aos factos.

como é sabido, as repúblicas do séc xix, a par com as monarquias liberalizantes, sabiam que o sistema de ensino público, a começar pelo primário, era a espinha dorsal de todas as esferas do futuro, pelo que, sempre que hoje se fala em desinvestir em educação, eu saco do revólver das palavras e começo a zeinal bavar-me em todas as direções. depois, como dentro do horror, há sempre um horror do horror, aparecem os cratos, para fazer os fretes que a milú inaugurou, e que a sensaborona opinião pública nacional, uma coisa que só se sabe pronunciar sobre as punições do balneário do leão, ou lá que merda é essa, quase que ignora, já que no tabuleiro do nada vale, tudo vale, na forma do deixa andar,
mas eu não deixo, porque, podem cortar em muita coisa, mas a minha sensibilidade para os valores do relacionamento humano é demasiado sofisticada para não me agarrar às centésimas, e dirão vocês que isto é um vítor constâncio que em mim grita, e eu direi que sim, tal como a senhora de mota amaral tem uma santa da ladeira por fora e uma elsa raposo por dentro, e eu vou soltar essas centésimas, na forma de vitríolo e trucidador for ever essa detestável criatura, nuno crato, que tanto poderia ter aceitado a educação como um penico internacional, já que a vertente carrilha é um carrilho de via única que a subserviência têgêveia, percorre e serve.

acontece que a excelência, palavra que detesto, e prefiro substituir pelo valor do mérito e o reconhecimento das qualidades, quando atribuída em certas idades, pode ser determinante para toda a existência, como dizia sartre sobre a família, que se tinha em pequeno, e deixava marcas para o resto da vida, e deixa, tal como certos atos, e vou já ao que nos interessa, porque isto de andar a bailar é bom para os cretinos do "eixo do mal", e da "quadratura das bestas".

sucede que, coisa que eu desconhecia, alguma das almas caridosas que ocupou a educação, como poderia ter ocupado a vereda das sentinas, resolveu, e com algum brio, que os melhores alunos, do secundário, creio, daquelas bombas relógio que são as escolas portuguesas, iria receber 500 € de recompensa pelo esforço desenvolvido.
500 €, num certo tempo da vida, pode ser muito dinheiro, mais, pode ser o sinal simbólico que funda a primeira pedra de alguém que sente que o trabalho intelectual poderá vir a ser uma via posterior de sobrevivência.
como toda a gente sabe, e vamos a um axioma, em honra do crato, em portugal, o trabalho intelectual não é uma via posterior de sobrevivência, não tivéssemos nós 27% de licenciados no desemprego, e uma fasquia inominável de patrões analfabetos, de cnocizados no governo, e atrasados mentais nos poleiros da república.
esses são os autênticos sinais de mediocracia, uma coisa que a grécia antiga não onventou, mas nós decidimos praticar, já que a arte de ser atrasado sempre passou por decapitar os mais aptos.

eu, humilde escritor, que já tive essa sensação de murro no estômago, em tempos idos, quando ganhei um prémio literário, que era uma publicação da obra na imprensa nacional, casa da moeda, mas, logo dois dias depois, recebo um telefonema, a dizer que, sim, que tinha o prémio, mas não a edição, porque o cancro que então dirigia a instituição -- e escarrapacho-lhe já com o nome aqui -- um tal de vasco graça moura, uma nulidade, que parece uma retroescavadora-caimão do reacionarismo nacional, ao ir-se embora, tinha deixado os cofres vazios...
para o jovem que ganhou o prémio, eu, a coisa foi marcante, aliás, não surpreendente, mas corroborante do desprezo que eu já intimamente sentia por esse traste da vida pública portuguesa, e, imaginem, ao longo do tempo, não só não me esqueci do episódio, como continua a considerar essa... coisa um dos primeiros que abateria, se tivesse o tal poder de carregar no botãozinho e livrar-me das belas lêndeas que nos infestam.

sei que este texto poderá parecer um pouco camileano, autor que não frequento, já que foi indireto culpado de uma posterior gangrena da língua portuguesa, ao nível do vasco graça moura, mas na forma de hipopótamo anão, a agustina, a saloia do norte oitocentista, e vou enveredar pela minha típica verborreia, pondo-me na pele dos jovens que estavam à espera do prémio de mérito, e, afinal, ouviram o qualquer-um-que-pode-ocupar-a-pasta-da-educação dizer-lhes, que, afinal, não havia dinheiro.

gostei dos rasgos de filantropia de dignidade que alguns setores da nossa sociedade, ainda não corrompidos, tiveram, ao assegurar, do bolso deles, o pagamento dos prémios, mas o grosso deles ficou, mesmo, por pagar,
e, assim, estes jovens, anónimos, o melhor das nossas decadentes escolas, aprenderam uma profundíssima lição, um belo teorema, a de que a palavra de um ministro pode voltar atrás, o que terá, no seu amadurecimento, uma sequela de corolários, que poderão ir desde o radicalíssimo desprezo que eu sinto pelo ato, a um crescente ódio, que termine naqueles metralhares finlandeses, ou americanos, de porta de universidade.
como diz a teoria do caos, e o sr. crato muito bem sabe, o bater de asas de uma borboleta em pequim pode gerar um occupy wall street em nova iorque, e quando as borboletas são muitas, e batem muitas asas, poderão muitos 15 de outubros ocupar avenidas, com multidões reunidas em todas as alamedas.
isto, todavia, não é senão, um prólogo dos desenvolvimentos sequentes, não fosse isto um estado em estado de esfarelamento abrupto e acelerado: no tempo da civilização, o ministro dos bons exemplos das gerações futuras, já que esses exemplos são o que fica, quando se esqueceu tudo o resto da educação, ao saber da coisa, que até lhe poderia ser alheia, deveria imediatamente ter seguido o caminho da demissão, para que esses milhares de jovens defraudados sentissem que tinha havido uma solidariedade, por parte de quem deve representar a decência dos países, os seus governos, e crato teria passado para a história como um excelente ministro da educação, um daqueles raros, que, ao sentir que estava incapacitado de cumprir os seus compromissos de honra e exemplaridade, tinha preferido colocar o lugar à disposição, para que as gerações futuras o vissem, doravante, como um homem digno.

e vamos a outro teorema: a dignidade, em portugal, onde se pensa com os pés, e os milagres se esperam de joelhos, tal como o esforço intelectual, são irrelevantes, já que o vale tudo, o há de passar, o amanhã já ninguém se lembra imperam. acontece que não imperam, porque os jovens têm memória de elefante, e crato passou para a história como ainda mais vil do que de vil a educação até hoje tinha produzido, a escravinha da casa pia, que era acordada com baldes de água fria em menina, e achou que isso lhe dava o estatuto de socióloga educadora. creio, só para dar um pouco de adrenalina aos meus leitores, que, se a encontrasse na rua, ainda agora lhe cuspiria na cara, com tanto gosto, como quando ela se perfilou no vazio nacional...
dirá o crato, coitado, que ficaria pobre, e não poderia ir-se embora, porque tem uma família de cratinhos para sustentar, que lhe deve ter perguntado, pai, como é que é isso, de terem prometido um prémio ao pedro, e depois lhe o terem tirado, e o pai crato terá explicado, com a sua exatitude matemática, que não se podem fazer omeletes sem ovos, e é verdade, mas o problema de portugal não é não ter ovos, é ter os ovos todos colocados em cestas erradas, porque, esse mesmo país que assistiu, hoje, a mais um passo na direção da sua terceiromundialização, de aqui a dois meses, se lá chegar, irá assistir à chuva dos milhões dos méritos dos zeinais bavas, dos carrapatosos, dos miras amarais, dos ulrichs, dos farias de oliveira, dos proenças de carvalho, e de tantas aberrações só possíveis numa entorpecida cauda da europa.

a história, a ser contada corretamente, deveria ter decorrido assim, para memória e exemplaridade das gerações publicamente vexadas por este escândalo que se apropriou do poder no portugal agonizantes: ao saber das dificuldades do erário público, minado de bpns, bpps, motoristas das senhora de mota amaral e outras tantas aberrâncias, sua excelência o ministro das finanças, o prozakizado vítor gaspar, imediatamente se teria apercebido da gravidade pedagógica do evento, comunicado ao primeiro ministro das "doce" que um governo pode não ter dinheiro, mas terá de manter a sua decência até ao fim, e de aí se subiria ao senhor do sorriso das vacas, aníbal, o alzheimarizado, e, em consonância de estado, tal como se decidiu nacionalizar o bpn do criminoso dias loureiro, o governo da república, reunido de urgência, e dada a gravidade da situação, decidiria tomar medidas pontuais e exemplares, cativando os prémios dos gestores da ruína da coisa pública, de modo que o dinheiro pudesse assegurar a distinção do mérito das futuras melhores cabeças da geração que estava em construção.
não o fizeram, e o preço disso, prevejo, será medonho, muito para lá dos pesos de consciência de leonor beleza, quando acorda, a meio da noite, e grita, a ver as faces agonizantes dos hemofílicos que assassinou: esta geração não esquecerá o que o sr. crato lhes fez um dia, e, quando os adolescentes crescem e se tornam jovens cabeças de liderança, por vezes rolam cabeças de robespierres na guilhotina.

as outras tiveram as cabeças passeadas nas pontas de chuços, porque brincavam às pastorinhas. Temo, com sinceridade, pelo que possa acontecer a estes, que brincam com todos nós...

(afinal o quinteto era de revolução, no "arrebenta-sol", no "demo crato", no "democracia em portugal", no "klandestino" e em "the braganza mothers")

Nice!

Na escola que escolhemos? UAUUUUU!!!

: /

ADENDA (19 de Outubro)

A saga continua e afinal, os professores não foram colocados. Ler mais no Blogue DeAr Lindo em:



Ao final da tarde, saiu esta notícia:

 (Lusa / EDUCARE | 2011-10-19)

ADENDA (20 de Outubro)


Parece que hoje foram colocados 100 colegas. Nós, os restantes 300 e não sei quantos, aguardamos com a calma a que somos obrigados ... Boa sorte para todos!