SANTANA CASTILHO, Antena 1, parte da transcrição:
Concretamente em relação à greve, àquilo que a vossa abertura do programa noticiou, de que os professores teriam sido convocados massivamente (pelo júri nacional de exames) para estarem presentes no dia 17: em minha opinião, o júri nacional de exames não tem nenhum vínculo hierárquico com os directores das escolas nem com os professores, para fazer isso.
Aquilo que foi feito foi uma 'orientação'. É esse o título de um e-mail que chegou às escolas: uma 'orientação'. Ora isto, em meu entender, não obriga as escolas. Isto denota uma grande cobardia por parte de um ministro que, além de mentiroso, de facto, é cobarde. Incumbe um júri nacional de exames de tomar uma medida que vale o que vale. Os professores em greve não têm que comparecer na escola.
Aliás, é ridículo - e é desonesto, em minha opinião - que um ministro e um governo que aceitam um colégio arbitral, como está na lei, para decidir sobre os 'serviços mínimos', depois da decisão do colégio que eles aceitaram!! , venha agora apelar para um tribunal administrativo porque, depois de a decisão ser «Não há serviços mínimos», então agora ela não vale! Quer dizer, isto é de uma desonestidade, de uma brincadeira contra uma coisa que é séria, que são as leis deste país, contra uma Constituição! - e isso de que me fala, através do júri nacional de exames, não é mais do que um expediente para causticar a totalidade dos professores!
20130613
Convites: sábado, dia 15 e segunda-feira, dia 20.
E na segunda-feira, dia 20 de Junho (às 8:30), juntemo-nos à porta das nossas escolas. Amigos, familiares e alunos serão bem-vindos!
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20130612
Adivinha
Qual a palavrinha com quatro letras que suscita as expressões em baixo representadas?
Uma ajuda: É o que inspiram aqueles tipos ...
Sr. Jorge!
SENTIDO DE DEVER
O Sr. Jorge Ascensão, presidente da CONFAP, veio hoje a terreiro apelar ao «sentido de dever» dos professores. É, no meu entender, um apelo lamentável, apesar de parecer muito assertivo.
Em primeiro lugar, se há profissionais em Portugal com elevado «sentido de dever», os professores estarão, certamente, à cabeça desse honroso grupo.
Em segundo lugar, é precisamente por causa desse elevado «sentido de dever» que os professores estão, de novo, em luta frontal com o Ministério da Educação. Acima de tudo, é a qualidade do serviço prestado aos alunos (logo, aos encarregados de educação e à sociedade em geral) que está em causa. Se os docentes não pudessem usar esta “arma”, então a Escola Pública estaria, doravante, completamente à mercê daqueles que a querem esmifrar, a favor do ensino privado, criando, desse modo, dois Estados dentro do Estado: o dos que podem (com escolas de qualidade) e o dos que não podem (com escolas escanzeladas, inseguras e sem condições de promover a tão propalada igualdade de oportunidades dos cidadãos). Bastaria calendarizar para esta altura todos os saques à Escola Pública. Estaríamos todos de mãos atadas.
Em terceiro lugar, lamento profundamente que a CONFAP apele ao «sentido de dever» dos professores e ignore o sentido justiça e de dever do Governo, uma vez que é “dali” que, nos últimos cinco anos, têm vindo todas as pragas que têm depauperado a nossa Escola Pública.
A CONFAP só tem de estar do lado dos alunos e de mais nenhum. É esse o seu tesouro. Por isso mesmo é que estranho muito que não esteja agora — como não tem estado, por norma — ao lado daqueles que dão, diariamente, corpo, alma e até o tempo da família pela Escola que protege, acarinha, alimenta, conforta, ensina e educa as crianças deste país que não podem, ou não querem (porque têm direito a uma Escola Pública de qualidade) refugiar-se nas privadas. Lamento muito que todos corram a encostar-se ao poder, em vez de engrossarem as fileiras daqueles que têm hasteadas as bandeiras com o rosto dos seus educandos.
Luís Costa
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A política educativa dos 'donos da bola'
Sendo que o mundo é redondo.
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By Pauline Rose, director of the Education for All Global Monitoring Report
"(...) It is especially worrying that aid to basic education from the World Bank’s International Development Association – to which G8 countries contribute – has declined dramatically since 2004: in 2011 the IDA gave less than a quarter of the aid to basic education that it gave in 2002. (...)"Nada que não se saiba ... O desinvestimento na Educação é uma estratégia global e já ninguém tenta disfarçar.
"(...) The message is clear: strong, dependable funding to basic education is urgently needed; it is a crucial part of the solution to development crises such as malnutrition and hunger, and it is an essential to ensure all children can fulfil their potential.
* Source: EFA Global Monitoring Report team analysis based on OECD Creditor Reporting System (2013)
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| A naturalidade com que decorrem as cimeiras do G8 (Sic Notícias) |
“Em Portugal e noutros países europeus, os trabalhadores do serviço público e os professores, em particular, estão entre os mais atingidos. Os professores são vítimas de escolha nesta política de desinvestimento, com que os governos justificam demissões em massa e redução de salários e pensões, mas também o encerramento de escolas e turmas de maiores dimensões, como medidas de flexibilidade. Agora, mais do que nunca, existe a ameaça da privatização da Educação, com o risco iminente de uma educação de qualidade se tornar inacessível a mais e mais crianças.
O desinvestimento em Educação tem um impacto negativo sobre cada aluno, sobre cada professor; ele ameaça minar a educação das gerações futuras, agrava as desigualdades sociais e põe em causa muitas das conquistas do desenvolvimento económico e social das últimas décadas. A Educação pública tem que ser estimulada, pelo que exige um apoio financeiro adequado. Temos que reconhecer a Educação pública de qualidade como um direito individual e uma responsabilidade pública, que garanta a coesão social e o futuro crescimento e desenvolvimento das sociedades democráticas.” (Fred van Leeuwen | Secretário-Geral da Internacional da Educação @ Do “Desinvestimento”!)
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20130611
Ele estava mais ou menos assim há minutos ...
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| © Kaos |
Melhores dias venham para todos nós, sr. Demo. Entretanto, não tenhamos pena dele(s). São piores do que TINHA.
Sempre muito à frente.
A mulher que permitiu que amigos e colegas nossos morressem a arrastar-se para o trabalho ...
Não é a
'lata' que é grande mas sim a desfaçatez, a desumanidade, a estupidez e a
falta de amor próprio. Então, estas ideias peregrinas do Crato nascem
onde, pah? Mas agora a sua voz é doce ... Sim, já a temos ouvido. E como
diz alguém, a memória desgasta-se mas ainda é viva.
Manifesto | Obrigado professores
Poucos segundos após saber que o Tribunal Arbitral Não Definiu Serviços Mínimos para a greve aos exames li um manifesto de solidariedade para com os professores assinado por alguns artistas e personalidades da cultura.
Não está mal. Vamos ver aonde vai tudo isto dar.
Manifesto: Obrigado professoresSem Educação não há país que ande para a frente. E é para trás que andamos quando o governo decide aumentar o número de alunos por turma, despedir milhares de professores e desumanizar as escolas, desbaratando os avanços nas qualificações que o país conheceu nas últimas décadas. Não satisfeito, continua a sua cruzada contra a escola pública. Ameaça com mais despedimentos e com o aumento do horário de trabalho dos que ficam.
Ao atacar os professores o governo torna os alunos reféns. Com menos apoios educativos e menos recursos para fazer face à diversidade de estudantes, é a escola pública que sai enfraquecida. Querem encaixotar os alunos em turmas cada vez maiores com docentes cada vez mais desmotivados. Cortam nas disciplinas de formação cívica e do ensino artístico e tecnológico, negando aos jovens todos os horizontes possíveis.Os professores estão em greve pela qualidade da escola pública e em nome dos alunos e das suas famílias. Porque sabem que baixar os braços é pactuar com a degradação da escola. Os professores fazem greve porque querem devolver as asas aos seus alunos que o governo entretanto roubou. Esta greve é por isso justa e necessária. É um murro na mesa de quem está farto de ser enganado. É um murro na mesa para defender um bem público cada vez mais ameaçado.Por isso, estamos solidários. Apoiamos a greve dos professores em nome de uma escola para todos e onde todos cabem. Em nome de um país mais informado e qualificado, em nome das crianças que merecem um ensino de qualidade e toda a disponibilidade de quem sempre esteve com elas. É preciso libertar a escola pública do sequestro imposto pelo governo e pela troika. Aos professores dizemos “obrigado!” por defenderem um direito que é de todos.Subscritores:António Pinho Vargas, Compositor
Bruno Cabral, Realizador
Camilo Azevedo, Realizador, RTP
Carlos Mendes, Músico
David Bonneville, Cineasta
Eurico Carrapatoso, Compositor
Hélia Correia, Escritora
Leonel Moura, Artista plástico
Luís Varatojo, Músico, A Naifa
Luísa Ortigoso, Actriz
Jacinto Lucas Pires, Escritor
Joana Manuel, Actriz
João Salaviza, Cineasta
José Luís Peixoto, Escritor
José Mário Branco, Músico
José Vítor Malheiros, Jornalista
Marta Lança, Editora e produtora
Messias, Músico, Mercado Negro
Nuno Artur Silva, Autor e produtor
Pedro Pinho, Cineasta
Rui Vieira Nery, Musicólogo
Raquel Freire, Cineasta
Sérgio Godinho, Músico
Valter Vinagre, Fotógrafo.
Zé Pedro, Músico, Xutos e Pontapés.
Fonte: SPGL
Coitadinhos dos directores ...
Entre greves e férias dos professores, os directores estão a ficar sem ideias para conseguir cumprir a lei e não prejudicar os alunos. (...)É assim que a jornalista inicia o seu texto. É esse o título que Ana Ferreira escolhe para a sua peça jornalística. Nada tendenciosa a forma como coloca as coisas.
O director da Escola Secundária de Camões (em entrevista) refere exames e vigilâncias já marcados e em como isso poderá impedir a conclusão das avaliações dos alunos. Mas Ana Ferreira, afoita, marcha em cadência populista e atira para a frente: ´férias!' .... Pois quem não se lembra desses malandros dos professores que têm 3 meses de férias ou isso.
Por favor, não voltem a morder maçãs envenenadas!
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Vamos todos dar-lhes uma lição |
"Ao fim de todos estes anos de ressaca é bom ver os professores de novo a lutarem pelos seus direitos e em defesa da escola pública. Não sou professor, mas como pai de alunos que vão ser afectados pela greve quero aqui deixar o meu apoio e a minha solidariedade nessa luta, que como deviam ser todas, é de todos nós. (...)
O único conselho que lhes posso dar é que se unam e não vacilem, nem contra este governo e este sistema, nem na vigilância junto dos sindicatos para que não se repita o que aconteceu no tempo da Bruxa Maria de Lurdes Rodrigues. Não deixem que os sindicatos assinem memorandos de entendimento com o poder sem antes haver uma consulta aos professores e estejam atentos às condições propostas. Não voltem a morder maças envenenadas que vos sejam oferecidas e coloquem a vossa luta ao serviço de todos e de uma luta global. Lembrem-se de tudo o que perderam com a vitória que conseguiram nas ruas e nas escolas. Todos juntos podemos vencer." (Kaos)
20130606
Cogitações sobre a agitação mediática dentro da “esquerda”
A
semana passada a “esquerda” esteve reunida, quais pintos em torno da
progenitora – Soares – que, convém recordar, guarda no curriculo a
responsabilidade por duas intervenções do FMI em Portugal. A sua subserviência
quando no poder mereceu-lhe o tratamento por “our white Mobutu” pela
adminsitração Reagan
No final do referido encontro, Semedo disse que
"É um primeiro passo para um governo de esquerda".
Entretanto, Seguro foi hoje à apresentação aos
senhores da banca (Bilderberg) que, certamente, lhe darão as devidas
instruções, apesar de o secretário-geral do PS já várias vezes ter dito que, se
for governante, cumprirá escrupulosamente o memorando da troika. E terá a seu
lado, Paulo Portas
Uma vez que o PS já disse que preferirá (naturalmente)
aliar-se à direita para a constituição de um futuro governo, a presença de
Seguro e Portas em Bilderberg cheira a convénio pré-matrimonial, a selar tendo
Rockefeller como tabelião. Na peúgada de tantos ex-MES e ex-PC’s que se
acolheram ao conforto da vida dentro do PS, quantos no BE anseiam a integração
naquele partido, para além de Daniel Oliveira? A desagregação dentro do BE é
clara. Na IAC procura-se que seja o Estado (isto é o ladrão) a fazer a
auditoria da dívida…; no congresso das Alternativas há dissensões graves; e o
QSLT finou-se no sábado, a caminho da Alameda.
Pergunta-se se o BE está mesmo disposto a ser uma
peninha no chapéu do Seguro, (ainda mais) amestrado no regresso de Bilderberg.
Quando terminar oficialmente a intervenção da troika,
duvido que termine a austeridade, a política de desvalorização salarial e de
genocídio para com vários milhões de portugueses. Tenho todas as dúvidas se
esta “esquerda” tem alguma coisa a dizer sobre esse futuro próximo. Com esta
“esquerda” não se vai longe.
Textos em:
20130604
Apoio alemão a empresas portuguesas. Recordemos a Treuhand
Fomos surpreendidos
nos últimos dias com a notícia de que o KfW[1] – banco público alemão– iria financiar as
pequenas e médias empresas portuguesas, espanholas e gregas em dificuldades
financeiras.
A boa nova, como aliás
todas as boas notícias que aparecem em Portugal, foi transmitida pelo Vítor
Gaspar[2],
depois de instruido pelo seu chefe, Wolfgang Schauble, ao seu lado, na
divulgação da intenção alemã de prestar ajuda a Portugal. Schauble é ministro
alemão das Finanças e por acaso do destino, também o presidente do conselho de
supervisão do KfW. Enfim, dois em um, numa demonstração de produtividade e de
poupança de recursos, para os preguiçosos e gastadores meridionais europeus.
Gaspar disse, na
ocasião, as imbecilidades de um lambe-botas pois, a alternativa seria proferir
aldrabices com ar sério. Como é habitual, Gaspar recorda-nos que a Alemanha
quer ajudar os países do Sul a criar emprego e afastar a má imagem do cruel
patrão teutónico, usando para o efeito a tradição benemérita do KfW. E,
bajulador, agradeceu, na presença do "bom amigo", "o apoio e
amizade do governo alemão", esse “activo precioso”… O cretino, na sua
formação maniqueista de mercado, só conhece activos e passivos. Nós, somos
certamente passivos a laminar.
Infelizmente, não
conseguimos esquecer que o mesmo Schauble se encarniça sempre pelo cumprimento
da agenda da troika que, em nada ajuda ou promove a melhoria da vida dos povos
do Sul. Schauble, não sendo maneta tem duas mãos, uma que diz que dá e a outra
que tira. Segundo a revista Der Spiegel, parece que Merkel está preocupada com
a sua imagem junto dos povos do Sul e no que isso pode prejudicar as
exportações alemãs… Deutschland uber alles!
Aparentemente, o KfW
irá financiar os falidos bancos portugueses com uma parte dos € 10000 M a
disponibilizar aos PIIGS, - também conhecidos por GIPSI (exala desta última
designação um cheiro racista…) - para que o dinheiro chegue às descapitalizadas
PME lusas. Claro que os estimáveis banqueiros saberão ganhar uma comissão.
Em Espanha o dinheiro
será transferido para o Instituto de Crédito Oficial (ICO), que o colocará à
disposição das empresas. Para além disso o KfW participaria com uns € 1200 M
num fundo de capitais de risco[3] .
Aqui, aparentemente sem a interferência dos bancos.
Todos sabemos que quem
paga escolhe a música e o local do concerto. Isto é, serão escolhidas
judiciosamente as empresas a financiar de acordo com os interesses estratégicos
alemães, não sendo de estranhar que sejam empresas com potencial exportador,
criador de sinergias para a Alemanha ou, importadoras de bens alemães para o parco
mercado global português. E se essas empresas vierem a ser compradas por
capitais alemães ninguém certamente estranhará; uma das vantagens potenciais desse
“takeover” seria a estabilização de algum emprego e o pagamento tempestivo das
contribuições para a Segurança Social a que os empresários lusos se furtam na
primeira dificuldade.
Quem se lembra da
Treuhand?
A propósito desta
operação que se estará a configurar com mais detalhes, surge inevitavelmente na
memória o que se passou com a Treuhand, nos anos 90, após a absorção da antiga
Alemanha de Leste (RDA) pela Alemanha Ocidental (RFA), num processo designado
por “reunificação”.
A Treuhand foi uma
agência pública criada em junho de 1990 com a finalidade de privatizar as
empresas estatais do Leste (Volkseigene Betriebe (VEBs). Num processo
relativamente rápido, a agência reestruturou e vendeu 8500 empresas com um
volume inicial de 4M de trabalhadores mas que deixou 2.5 M no desemprego, ainda
hoje mais elevado no Leste do que no Ocidente do país. O processo foi de tal
forma violento que o primeiro presidente da Treuhand foi assassinado por um
desconhecido após seis meses no cargo.
A Treuhand apossou-se
também de 2.4 M de hectares de terras agrícolas e florestais, dos bens da
sinistra pide local - a Stasi - e ainda de parte substancial da propriedade das
forças armadas, das habitações pertencentes ao Estado e da rede de farmácias.
O negócio surgia de
tal forma prometedor que a Treuhand foi criada em junho de 1990 e o tratado da
reunificação apenas em 3 de outubro, cerca de quatro meses depois. Depois desta
última data a Treuhand ainda se apossou dos bens do SED o partido-guia e dos
seus satélites, bem como das organizações de massas (sindicatos, órgãos
juvenis, etc).
A operação de saque e
privatização foi dada por terminada em 1994 com um prejuizo contabilizado na
Treuhand de 260/270000 M de marcos, não se conhecendo queixas por parte dos
compradores. Como ainda restavam muitos bens não vendidos, à Treuhand sucederam
três agências, para gerir o que sobrava das empresas públicas, do imobiliário e
dos terrenos agrícolas ou florestais e que prosseguiram o seu afã privatizador.
Este processo de compra de bens públicos no Leste deverá relacionar-se com a
estagnação do investimento nacional no exterior (média de $ 19398 M em 1991/94,
contra $ 55118 M em 1995/98[4]).
Sabemos do processo de
drenagam financeira dos países do Sul para o sistema financeiro global,
mormente para o sediado no Norte da Europa [5]. Ora,
sabendo-se da histórica descapitalização das empresas, que os bancos
portugueses não têm margem para a assunção de riscos financeiros, há condições
para os capitais acumulados na Europa do Norte encontrarem aplicações
interessantes para o reforço da complementaridade subalterna entre a economia
portuguesa e, neste caso concreto, a alemã. Por outro lado, a tendência para
uma forte baixa dos salários e restantes custos laborais torna também apetecível
algum investimento dentro da zona euro, uma vez que esses menores custos
associados a distâncias mais curtas de transporte, pode encaminhar para
Portugal algum investimento que, antes da crise e dos memorandos estariam
melhor colocados em outras paragens. E, para mais, utilizam muito bem os
mainatos lusos (Cavaco, Passos, Gaspar, Seguro…) dedicados subscritores dos
memorandos da troika, encomendados pela estratégia alemã.
Documentos
e textos em:
http://pt.scribd.com/people/documents/2821310?page=1
http://www.slideshare.net/durgarrai/documents
[1] O KfW é um descendente
do velho Kreditanstalt für Wiederaufbau instituição criada em 1948 para aplicar
o Plano Marshall e promover a melhoria sustentável das condições de vida. O KfW
recolhe fundos no mercado financeiro contra a entrega de títulos garantidos
pelo Estado federal.
Só cerca de 10% dos empréstimos concedidos se destinam para o exterior,
através da subsidiária KfW IPEX Bank GmbH. Os empréstimos que concede cobram
juros mais baixos que os vigentes no mercado e os prazos são também mais
largos, sem concorrer com os bancos privados. O KfW é um género de zelador dos
interesses globais do capital alemão e um facilitador da penetração das grandes
empresas germânicas no exterior.
[2]http://economico.sapo.pt/noticias/banco-estatal-alemao-vai-apoiar-empresas-portuguesas_169731.html.
[4] Fonte: CNUCED/UNCTAD
[5] http://grazia-tanta.blogspot.pt/2013/03/a-instrucao-e-o-modelo-economico-para-o.html
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