20120715

Sobre as guerrinhas muito cínicas entre professores

Ultimamente tenho assistido a bombardeamentos de comentários sobre aquilo que está a acontecer a professores do quadro com 15, 20, 25 ou 30 anos de carreira e que se deparam com horários zero e obrigados a concorrer a Destacamento por Ausência da Componente Lectiva (DACL). Os emissores são na sua maioria professores novinhos, contratados ou os seus tios, pais, amigos ou outros que, sem tanta proximidade, gostam, na mesma, de ver a desgraça a abater-se sobre esses privilegiados professores que agora vão saber como é (...).
"(...)O que se ouve, em off e com recomendação de completa clandestinidade das fontes, sobre a forma como isto está a ser tratado ao nível das estruturas centrais e regionais do MEC é aterrador e profundamente desrespeitador da dignidade pessoal e profissional dos docentes. Tanto mais grave quando os comentários jocosos e as atitudes de desrespeito surgem de outros docentes que (por agora) se sentem a coberto das consequências dramáticas deste tipo de decisões, não se lembrando que serão descartáveis logo que seja necessário.(...)"
Vale, como sempre, ler o post do Paulo com atenção porque retrata exactamente o que se está a passar, que é, como ele diz:
" o que se está a passar com a definição de horários-zero neste final de ano lectivo é algo vergonhoso e obsceno, um exercício espúrio, moral e eticamente inaceitável, de engenharia profissional em que um MEC sem capacidades de planeamento anda a brincar com a vida profissional, pessoal e familiar, daqueles que deveria saber mobilizar para uma melhoria da Educação, não para o objectivo mesquinho da Educação possível com o preço mais baixo."
E deixo um apelo aos professores contratados para que pensem melhor antes de começarem a atacar/achincalhar os colegas do quadro. Essa relação de amor ódio não leva a nada. Amor a um tal lugar que ambicionam e ódio a quem o tem. Continuam sem perceber que o mal que nos acontece será a dobrar para eles. 

Estou cansada de ser alvo de piadinhas e cinismos por parte destes colegas. Tenho lido estas parvoíces em conversas onde estou presente e noutras, em que falam uns com os outros, desses 'velhos' incompetentes que são os professores do quadro. Não tenciono deixar de lutar por uma educação melhor mas, a partir de agora, terei cuidado quando estiver ao lado dos professores contratados. Não vá o diabo tecê-las ...

Por fim, tenho a consciência tranquila porque, já sem falar em blogues anteriores e.g. 'A Sinistra Ministra' e 'a nossa senhora das aventuras'), neste blogue temos dado atenção às questões que lhes dizem respeito. Basta procurar-se a tag contratados, entre outras pois nem sempre (falo por mim) me lembro de colocar as tags ou etiquetas devidamente. Por outro lado, manifestei-me publicamente inúmeras vezes por todos nós. Tenho tentado ajudar quem posso. 

Deixo um link aqui da casa, ilustrativo. Há muito mais mas não me apetece dar maior voz a tamanha pequenez de mente:

8 comentários:

Fir disse...

Estas guerrinhas só fortalecem a posição do ministro. Quando a reestruturação curricular começar a ser aplicada, com as escolas a definir os tempos semanais de cada disciplina, a guerra ainda vai ser maior. «Dividir para reinar» é um truque velho.
Dito isto, não vale a pena generalizar. Nem todos os contratados passam a vida a atacar os professores do quadro. Eu, por exemplo, sou contratado e não entro nesses "esquemas".

Moriae disse...

Tens razão, Fir. E sei que não é bom generalizar. Apenas tenho assistido a coisas destas em demasiados lugares e há demasiado tempo. Volta e meia, há que dizer o que sentimos, mesmo que choque. Senão, é um engolir de sapos. Espero que estas situações tendam a desaparecer.

Boa sorte, Fir, neste concurso!

Moriae disse...

Fir, olha este:

A única coisa que acaba por ter a sua piada...
Claudio Brandao 15 de Julho de 2012 15:52
A única coisa que acaba por ter a sua piada neste caos todo é a aflição de alguns membros do quadro que tantas vezes gozaram com os contratados e que agora se encontram na mesma situação.. É assim malta, é duro, mas para os contratados é duro todos os anos...

Moriae disse...

Mais outra:

Anónimo deixou um novo comentário na mensagem "7000 intocáveis!?":

Não vejo nada de mais no ponto de interrogação. Pelo contrário, acho que fica lá muito bem. Esses 7000 vão continuar a receber o seu vencimento e mais tarde ou mais cedo, nomeadamente na bolsa de recrutamento, terão a sua colocação. E os contratados???? alguém se preocupada com eles? Não precisam também IGUALMENTE de trabalhar para pagar as suas contas? Pois, se forem todos para o desemprego não há problema. Agora, os efetivos terem que se deslocar ou ficarem a descansar (com ordenado)...esses são os verdadeiros problemas...Que pensamento TRISTE! É, por isso, que eu digo: não há união NEM PODE HAVER... os interesses são MUITO DIFERENTES

http://educaraeducacao.blogspot.pt/2012/07/7000-intocaveis.html

Mario Romao disse...

Boa noite,
sou professor contratado há 13 anos e nunca, NUNCA proferi qualquer insulto aos meus colegas efectivos que agora se encontram na vergonhosa situação criada pelo MEC. Sempre demonstrei toda a solidariedade com todos os meus colegas, independentemente do vínculo que possam ter. Não ponham tudo no mesmo saco, por favor!

Moriae disse...

Mário, não colocamos tudo no mesmo saco. A sério. Mas foi necessário desabafar porque não estava a ser fácil. Obrigada pelo seu comentário.

Fir disse...

Moriae, eu nunca disse que essas guerras não existem e compreendo o teu desabafo. Simplesmente acho que as generalizações acabarão por alimentá-las sem necessidade.

Temos é de juntar forças (independentemente do vínculo de cada um) para derrotar a política educativa que o governo quer impor!

Moriae disse...

Totalmente de acordo, Fir! E sim, tenciono não voltar a escrever sobre estas coisas e tb tentarei desvalorizar qdo as ler por aí. E é óbvio que não olharei com preconceitos para qualquer colega. E tenciono continuar a tentar fazer algo para que as coisas mudem e nós estejamos mais unidos.

Um exemplo, criação de um grupo de professores de educação musical (e pessoas solidárias e interessadas) no facebook.

Abraço!